As duas principais guerras que estão sendo travados hoje no mundo – Rússia contra Ucrânia e Estados Unidos contra Irã – não tem perspectivas de terminar. E o que é pior, só se estendem envolvendo outros atores, num agravamento que faz temer por algo que, até pouco tempo atrás era impensável: uma nova conflagração mundial.
A sucessão de acontecimentos sedimenta este temor. O Irã, por exemplo, não está evolvido apenas no seu enfrentamento com os norte-americanos. Está presente na Ucrânia com os drones que fornece para a Rússia. A denúncia desse envolvimento iraniano levou Moscou a comparar com o que o Reino Unido está fazendo, ou seja, fornecendo mísseis à Ucrânia, que estão sendo lançados contra a Rússia. Prova de envolvimento direto na guerra, segundo Moscou.
EXTENSÃO
O Irã já conseguiu expandir a guerra contra os EUA por vários países da região. Em nome de atingir instalações dos Estados Unidos, já atacou na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e Bahrein, todos no Golfo Pérsico. Porém, para mostrar o alcance de seus mísseis, lançou um deles contra a ilha de Guan, possessão norte-americana no Pacífico, situada a 4 mil quilômetros do território iraniano.
Agora, segundo o jornal britânico Financial Times, o regime dos aiatolás está ameaçando novos alvos. Segundo anunciou, estaria analisando atacar bases, americana no Chipre, e britânica na Bulgária. Além disto, cogita atacar cabos de fibra ótica submarinos no Estreito de Ormuz.
LESTE
Já no conflito do leste europeu a Rússia conta com a colaboração, além do Irã, com a Coreia do Norte, que teria mandado cerca de 10 mil soldados, que foram para a linha de frente da batalha. Além de drones e mísseis, lançados pelos próprios coreanos, desde o território russo. Moscou conta ainda coma sutil colaboração da Belarus, governada por Aleksander Lukashenko, um fiel seguidor de Vladimir Putin. E a China não deixa de colaborar ao comprar o petróleo e o gás que a Rússia deixou de vender para a Europa.
Outro perigo de extensão desse conflito reside no fato de, com frequência, artefatos lançados pela Rússia contra a Ucrânia, explodirem em território da Polônia ou da Romênia, dois integrantes da Otan, a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
OTAN
Aliás, a Otan tem mantido uma intervenção indireta e constante na guerra ao fornecer os armamentos que a Ucrânia tem utilizado. E a organização tem demonstrado também uma determinação muito forte em seguir ajudando a Ucrânia, por temor das ideias expansionistas de Vladimir Putin. Os europeus acreditam que se a Ucrânia cair, Putin irá adiante na sua declarada intenção de restaurar a União Soviética.
A propósito, nesta quarta-feira, 19, a Otan realizou uma manobra aérea que cruzou pelo espaço aéreo de Kaliningrado, o enclave pertence à Rússia, situado entre a Polônia e a Lituânia. Manobras desse tipo não são novidade. O novo, porém, está no fato de não ter sido usado algo que é praxe: o comunicado ao oponente da manobra a ser realizada.
AGRAVAMENTO
Assim, já há quem diga que a guerra já não é mais da Ucrânia contra a Rússia, mas, da Otan contra as forças de Vladimir Putin. E como não se vislumbra um término para este conflito, a dedução é de que a situação só tenderá a se agravar, com um envolvimento cada vez maior destes e, quem sabe, de novos atores.
O mesmo vale para o conflito que envolve Irã e EUA. Assim como para o enfrentamento de Israel com os palestinos, que não é só em Gaza, mas também na Cisjordânia. Aliás, este um conflito que teve nesta semana uma declaração terrível do ministro da Segurança de Israel, Itamar ben Gvir. Ao dizer que “Israel deveria matar30 a 40 palestinos por noite em Gaza.”
Ou seja, só se observa extensão e acirramento dos conflitos hoje existentes, com seu inter-relacionamento. O deixa a indagação de não marchamos para uma conflagração global, ou seja, uma Terceira Guerra Mundial.