A data de hoje ressalta uma das figuras mais emblemáticas da história recente da América Latina. Há 40 anos, morria na selva boliviana o comandante Che Guevara. Pois a Bolívia de Evo Morales e Venezuela de Hugo Chávez, são os dois países, juntamente com Cuba, evidentemente, que mais reverenciam a figura do guerrilheiro.
Conhecido no mundo inteiro através da foto tirada por Alberto Korda, em 1960, Che se tornou um ícone da juventude revolucionária. Sua história ficou impregnada de romantismo revolucionário, que buscava, em última análise, salvar a humanidade. Tornou-se uma lenda, sendo imortalizada também sua frase: “há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura”. Mas não se pode esquecer que também é dele o pronunciamento feito na Assembléia Geral da ONU, de 11 de dezembro de 1964, quando disse: “fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte”.
Essa frase representa bem o que foi a revolução cubana, da qual ele foi um dos líderes. Quem contestasse o regime ia para “el paredón”. Era fuzilado sem dó nem piedade. E neste caso não há nada de ternura.
Guevara triunfou junto com Fidel na revolução cubana, mas a visão diferenciada dos rumos da revolução os separou. Andou pelo Congo e acabou sendo executado na Bolívia. Era a derrota de um guerrilheiro e triunfo de uma lenda, que aos poucos vai sendo desmistificada.