O presidente Barack Obam conseguiu convencer os seus parceiros da Otan a aderir à sua campanha no Afeganistão. Os líderes europeus se comprometeram a enviar mais 5 mil profissionais de segurança e treinamento para o Afeganistão para reforçar a ação da Otan de estabilização do país. Afinal, Obama está fazendo o que a maior parte dos europeus entende que deveria ser feito: concentrar a luta no Afeganistão porque é lá que está o terror e não no Iraque, como Bush dizia.
No entanto, mais do que o apoio para a sua causa militar, o presidente americano conquistou nesta presente gira a confiança do europeus. Especialmente, pelo contraste que ele representa com relação ao seu antecessor, que dividia o mundo entre “bons”, aqueles que estavam com ele, e “maus” aqueles que não o apoiavam. Obama tem mostrado ser um homem do diálogo e, em função disto, trouxe para o seu lado os governos da França e da Alemanha, que nunca apoiaram o governo Bush. São parceiros importantes para possíveis acordos com Irã, Rússia e África. A propósito, o diálogo com a Rússia e com a China, antes da cúpula do G-20, também foi outro fato saudado.
Enfim, Obam prova que há um novo tempo no relacionamento dos EUA com o mundo.
AVANÇO COM RÚSSIA
Um dos grandes avanços resultantes da gira do presidente Barack Obama pela Europa se deu no que toca às relações com a Rússia. Desde o encontro que teve com o presidente Dmitri Medvedev, em Londres, na quarta-feira, até a cúpula da Otan em Estrasburgo, neste final de semana, despontaram fatos marcantes no alívio das tensões entre os dois países e na sua reaproximação. Duas decisões vinham desgostando profundamente os russos: a colocação de sistemas antimísseis e radar na República Tcheca e na Polônia e a expansão da Otan para o Leste, com as adesões da Ucrânia e da Geórgia.
Pois, segundo foi revelado, Obama está disposto a deixar de lado o sistema antimísseis e convenceu a Otan também a desistir do ingresso da Ucrânia e da Geórgia. Ou seja, atende plenamente as reivindicações de Moscou, de quem, inclusive poderá receber substancial ajuda para resolver os problemas do Irã e do Afeganistão. São os frutos de sua diplomacia que Obama começa a colher. E que o mundo, que deseja a paz, agradece.
VENEZUELA E IRÃ
Enquanto o presidente Barack Obama ampliava o seu diálogo nos múltiplos contatos que teve pela Europa, os presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e da Venezuela, Hugo Chávez, dois desafetos dos EUA, se reuniam em Teerã, onde inauguraram um banco binacional. Curioso que não fizeram nenhuma declaração provocativa a Washington. Apenas ressaltaram que os países devem reforçar a cooperação para não depender do comércio internacional. Na realidade, não há como não depender desse comércio. Afinal, tanto Irã como Venezuela são exportadores de petróleo. Consequentemente, não vão vender o produto um para o outro. Precisam de outros mercados. Como os EUA, por exemplo, que ficam com 25% do que a Venezuela exporta.
Embora sigam se reunindo, tanto Venezuela quanto Ira tem demonstrado interesse em se reaproximar dos EUA. Especialmente, Chávez, que até nomeou Lula seu interlocutor junto a Obama. Quanto ao Irã, que pode ser um inimigo perigoso, a estratégia de Obama para trazê-lo para o seu lado e, inclusive, ajudar na campanha do Afeganistão, será aceitar o seu programa nuclear, dito com fins pacíficos, desde que Teerã concorde com a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica. Afinal, como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, o Irã tem o direito de ter o seu programa, mas a obrigação de aceitar o acompanhamento.
Em suma, entre Venezuela e Irã, o interesse maior dos EUA é com o país da Ásia.