Argentina e Uruguai tem um importante jogo nos próximos dias pelas eliminatórias da Copa do Mundo, o qual poderá determinar qual dos dois países irá à competição. Hoje, no entanto, os dois países estão travando uma outra disputa, muito mais séria, no Tribunal Internacional de Haia. Trata-se de uma extensão da disputa que se estabeleceu desde que o Uruguai resolveu instalar uma indústria de celulose em Fray Bentos, às margens do rio Uruguai e defronte a cidade argentina de Gualeguaychu. No primeiro dia da apresentação de suas alegações perante os juízes do tribunal da ONU , a chefe da delegação argentina, Susana Ruiz Cerutti, disse que a papeleira era “uma fábrica ruim em um lugar ruim”. Disse ainda que a poluição do rio Uruguai pela celulose localizada na margem uruguaia do rio entre os dois países era uma “flagrante violação” do direito internacional. O presidente uruguaio Tabaré Vázquez, que está em Washington, disse que vários estudos internacionais confirmaram que não existe contaminação e alegou que a Argentina havia dado o sinal verde para a construção da planta meses antes do conflito. No tribunal, a Argentina tem cinco dias para apresentar sua denúncia, só então o Uruguai passará a fazer sua defesa.
Como se observa, um problema que tinha que ser resolvido aqui no âmbito do Mercosul, acabou parando na mais alta corte da ONU. E o veredito já se pode prever. A Corte vai não fechar a fábrica que, no último ano, foi responsável pelo crescimento de 11% do PIB uruguaio. Vai exigir colocação de filtros ou algo semelhante e tudo vai seguir em frente.