O senado da Argentina deve votar hoje a polêmica questão sobre as tarifas impostas às exportações pelo governo de Cristina Kirchner. É sempre bom lembrar que desde o início de março o campo está mobilizado contra a decisão do governo, que taxou as exportações de carne, de trigo e de soja, entre coisas. Sendo que a soja é taxada em 44%. Ou seja, quase metade do que os produtores ganham fica com o governo.
Depois de muitas paralisações, o máximo que os produtores rurais conseguiram foi fazer com o que o governo aceitasse enviar o assunto para decisão pelo Congresso. É lógico que, desde então, começaram as mobilizações, com a bancada ruralistas fazendo as suas pressões, enquanto que o governo jogava com o tradicional “toma lá, me dá cá”, buscando ampliar sua base de apoio.
Ontem, o dia que antecedeu a votação, foi de grande mobilização pelo país, com manifestações que tomaram as grandes cidades. Manifestações que se dividiram. Parte apoiando o movimento do campo e parte dando suporte ao governo. Essas manifestações quase iguais que se realizaram ontem, se constituem numa surpresa, tendo em vista que os maiores movimentos sempre foram de apoio aos produtores rurais. As mobilizações de apoio ao governo sempre foram menores.
A mudança, no entanto, se deu pela forma ardilosa de atuar do casal Kirchner. Simplesmente, fizeram a massa popular acreditar que o dinheiro tirado dos ricos produtores rurais será destinado a programas sociais voltados para os pobres. Como o argentino sempre acreditou nos discursos demagógicos, que fizeram o peronismo se transformar num fenômeno no país, acreditou no que Cristina estava dizendo e saiu às ruas para apoiá-la.
Assim, é sob esse clima que o tema vai para votação hoje no Senado.