As Farc, Forças Armadas Revolucionárias Colombianas, são duplo destaque hoje, envolvendo o presidente do Equador e uma guerrilheira. O presidente do Equador, Rafael Correa, ofereceu sua renúncia se houver alguma comprovação de sua ligação com as Farc. Sua manifestação se dá por conta do que foi revelado pelo computador de Raúl Reyes, o número 2 das Farc, que foi abatido em território equatoriano. Esta, não deixa de ser uma posição firme e corajosa de Correa. Se ele assim procede, dá entender que, realmente, não tem nada a temer.
Mas quem tinha muito a temer é a líder guerrilheira Nelly Ávila Moreno, que se entregou neste domingo para o exército colombiano. Ela, cujo codinome é Karina, comandava a chamada 47ª companhia da Farc e era considerada uma mais sanguinárias das integrantes da organização. O temos dela era de que tivesse o mesmo destino do chefe rebelde Iván Rios, que foi morto por um subordinado, Pablo Montoya, que se valeu da recompensa oferecida pelo governo. Montoya entregou Ríos, sua companheira e seu notebook.
O comandante da 4ª Brigada do Exército, general Pablo Rodríguez, disse a jornalistas que Karina se entregou porque se sentia muito pressionada, passava fome e estava desmotivada e cansada da guerra. Imagine-se que este sentimento dela possa ser o da maior parte dos integrantes da guerrilha. Tantos anos na clandestinidade, vagando pela floresta, dormindo sob ameaça de um ataque, deve cansar. Talvez este seja o fator mais favorável ao governo colombiano atualmente.