Em artigo anterior afirmei que quem poderia convencer o presidente do Afeganistão Hamid Karzai a negociar com o Talibã a libertação dos reféns sul-coreanos seria o presidente americano George Bush. Pois, o presidente Karzai chega amanhã aos EUA para, durante dois dias, discutir com Bush a crise estabelecida com o caso dos 23 missionários sul-coreanos seqüestrados a 19 de julho por militantes talibãs. Os seqüestadores já executaram dois reféns e ameaçam ir matando os demais se o governo de Cabul não libertar oito de seus militantes que estão presos. A atitude de Karzai deixa claro que quem poderá determinar uma negociação para a solução da crise é somente o presidente Bush.
A Coréia do Sul por sua vez está pressionando para que seja escolhido um lugar seguro para que os milicianos do Talibã possam comparecer à negociação. Lógico que esta será em uma área que está sob o controle do governo. E terá que ser segura para múltiplas partes, porque o encontro deve ter também a participação de representantes da Coréia do Sul e da ONU.
A situação que envolve o Talibã é muito complexa. Os militantes e adeptos baseiam-se no fundamentalismo islâmico. E como tal, se atribuem o direito de tirar a vida de alguém, se entenderem que este esteja atentando contra os seus princípios. Assim, por exemplo, aconteceu ontem quando, sob as vistas de uma multidão na pequena cidade de Bagham, no sul do país, dois homens eram enforcados, sob a acusação de espionar para o governo.
O curioso é que esse encontro foi alvo de um bombardeio por parte da coalizão militar liderada pelos EUA. A coalizão visava dois chefes talibãs que lideram os movimentos rebeldes na região. O que se sabe é que várias pessoas morreram. Entre os mortos estaria o comandante regional do Talibã, o mulá Rahim. Mas estariam também vários civis que presenciam o “espetáculo” do enforcamento.
A situação mostra as incoerências da região. Tanto por parte do Talibã, que mata, mas se revolta quando os seus são mortos, e pela coalizão militar liderada pelos EUA, que não distingue uma aglomeração popular de um encontro de lideranças talibãs