Depois de três mandatos e dez anos no poder, Tony Blair, finalmente, anuncia a data de sua saída. Será a 27 de junho. Esse escocês de 56 anos, se tornou o chefe de governo mais longevo do Reino Unido nos últimos 160 anos. Apesar de ser integrante do Partido Trabalhista, tido como de esquerda, a exemplo de Lula aqui no Brasil, implementou uma política externa conservadora e uma política econômica liberal.
A reeleição de Blair para seu terceiro mandato, em maio de 2005, já se constituiu numa surpresa. Afinal, ele vinha de um enorme desgaste, em função do apoio incondicional que dera a George Bush para a guerra no Iraque. Blair foi um fiel seguidor de Bush, embora o posicionamento contrário de outros parceiros seus, importantes, da Europa, como o francês Jacques Chirac e o alemão Gehrard Schroeder, e ainda o russo Vladimir Putin. Blair não quis saber. Apoiou Bush em tudo. Mandou tropas e equipamentos para o Iraque.
O gradativo fracasso da operação e as revelações de dados falsos usados pelos americanos para justificar a guerra no Iraque, não influenciaram na terceira eleição de Blair. Nem mesmo o fato de ele próprio ter ido ao parlamento e ter usado relatório falsa para justificar o apoio a Bush. Elegeu-se facilmente.Isto, logicamente, provocou uma indagação da comunidade internacional. Queria-se saber o porque da votação em Blair apesar do fiasco do Iraque. E a resposta veio pelas questões internas. Mais especificamente, pelo bolso dos ingleses. Blair promoveu a recuperação econômica do país. Criou o salário mínimo, que não existia no país. E, em seis anos, promoveu um aumento de 40% nesse mínimo. O desemprego, que era de 7% em 1997, recuou para 4,8%em 2006. E a recuperação do país deu-se, em boa parte, impulsionada por investimentos públicos.
Estes números que ajudaram a reeleger o primeiro-ministro. Mas o apoio a Bush para o massacre no Iraque e as vistas grossas que os ingleses fizeram, não passaram impunes. Dois meses depois da reeleição, em julho de 2005, Londres era alvo de um nefasto ataque ao metrô, praticado pela Al Qaeda, que deixou um rastro de destruição, de mortos e de feridos.
O atentado não foi novidade. Em março de 2004 havia ocorrido em Madri, justamente numa represália ao apoio que o então governo de José Maria Aznar dera a Bush, da mesma forma como dera Blair. O que surpreendeu foi o fato de o atentado ocorrer primeiro em Madri e só depois em Londres.
Assim, espanhóis e ingleses padeceram pela falta de visão de seus dirigentes em termos de política externa. Mas, quanto à política interna da Inglaterra, que foi muito bem sucedida na parte econômica, os méritos não são exclusividade de Tony Blair. Tanto, que, quando ele foi reeleito pela terceira vez, seus pares do Partido Trabalhista, exigiram que ele ficasse no máximo mais um ano no governo, porque deveria dar lugar a quem fora o responsável pelo sucesso da política econômica: o ministro das Finanças Gordon Brown.
Blair acabou ficando mais um ano do que o previsto, mas agora sairá para dar lugar a Brown, que é tido como o franco vitorioso na disputa interna para se tornar o novo primeiro-ministro da Inglaterra.