O Brasil está assumindo mais um desafio em termos de política externa. Ao formalizar para o Irã a oferta de asilo a Sakineh Mohamadi Ashtiani, condenada a morrer apedrejada pelo crime de adultério, o governo brasileiro está, inquestionavelmente, assumindo uma posição humanitária. Afinal, só o fanatismo religioso para aceitar uma execução como essa. No entanto, o presidente Lula está correndo o risco de ver o seu “companheiro” Ahmadinejad rejeitar o pedido. Basta lembrar que já houve uma manifestação inicial do presidente Lula nesse sentido e a resposta do governo iraniano foi contundente. A chancelaria iraniana sinalizou a recusa ao pedido, afirmando que Lula o fizera com bases em informações erradas e porque é emotivo.
O que se espera é que este pedido do Brasil tenha sido antecedido de uma ampla negociação de bastidores por parte do Itamaraty. Afinal, o chanceler Celso Amorim há mais de um mês manteve o primeiro contato com o Irã nesse sentido. Se isto não foi feito e se o Irã rejeitar o pedido de asilo, o presidente Lula, que se arvorou advogado do programa nuclear iraniano, vai ficar desmoralizado no cenário internacional.