Quem diria! O Brasil está sendo considerado como país irmão pela Argentina. Tudo pela posição que Brasília tem assumido na questão referente às ilhas que os argentinos chamam de Malvinas e reivindicam sua soberania, e os britânicos chamam de Falkland e mantém sua ocupação. O Brasil já manifestou nos mais diversos foros internacionais a sua posição a favor da soberania argentina sobre as ilhas. E foi em respeito a esta posição que, esta semana, negou autorização a uma embarcação inglesa, HMS Clyde, para atracar em porto do Rio de janeiro, para reabastecimento.
O fato foi saudado pelo governo argentino como “uma prova de irmandade”, conforme ressaltou o chanceler Héctor Timerman. Ele ressaltou que a decisão é fruto dessa construção de aliança estratégica que Brasil e Argentina tem montado, demonstrada não só pelo comércio, mas também por aspectos políticos, como esse reconhecimento de soberania sobre as Malvinas.
Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores britânico afirmou nesta quinta-feira que o governo respeita o direito do Brasil de negar acesso portuário a um navio da Real Marinha que faz o patrulhamento das ilhas Malvinas, território disputado entre britânicos e argentinos. “Respeitamos o direito do Brasil de tomar esta decisão”, afirmou o porta-voz, tentando minimizar o incidente que aconteceu poucos dias depois da posse da nova presidente Dilma Rousseff. O porta-voz afirmou ainda que o Reino Unido tem “uma estreita relação com o Brasil” e que o tratado de cooperação bilateral em termos de defesa assinado em setembro passado pelos governos de ambos países é “um bom exemplo dos sólidos vínculos atuais”.
O que resta ver é se este apoio brasileiro corresponderá a um apoio argentina à sua pretensão de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.