O Brasil finalmente se mobiliza para tentar uma mediação no conflito entre Colômbia e Venezuela. Primeiro, o presidente Lula se dispôs a buscar uma aproximação entre os presidentes Álvaro Uribe e Hugo Chávez por ocasião da Cúpula Amazônica, que será realizada em Manaus, no próximo dia 26. E ontem, tivemos o pronunciamento do assessor de Assuntos Internacionais da presidência, Marco Aurélio Garcia, propondo a criação de uma comissão de vigilância fronteiriça entre os dois países, como forma de aliviar a tensão.
Os conflitos de fronteira já vem acontecendo há algum tempo, mas a tensão aumentou no domingo que passou, em virtude da conclamação à guerra que Hugo Chávez fez aos militares e cidadãos venezuelanos, por ocasião de seu programa de rádio e TV. Nas suas extrapolações, Chávez considerou o pacto militar entre Colômbia e EUA como uma declaração de guerra à Venezuela. Isto só mesmo na sua fértil imaginação. Mas a reação foi tão grave que a Colômbia resolveu levar o assunto para o Conselho de Segurança da ONU.
No entanto, diante da repercussão negativa que teve sua manifestação, Chávez resolveu recuar e ontem disse que fora mal interpretado. Que apenas exortava o país à preparação defensiva, seguindo o adágio “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Mesmo recuando, não deixou de querer ter razão. Disse ele “nós, os ameaçados somos condenados como agressores. É o mundo ao contrário”. Na realidade quem ameaçou foi ele. Que agora recua. Porém, mesmo com o recuo e conhecendo como se conhece Chávez, é importante ser levada adiante a idéia de uma comissão neutra atuando na fronteira.