O chanceler Celso Amorim anunciou que o Brasil está pronto para mediar a crise entre Colômbia e Venezuela, se for chamado para tal. Vale lembrar que os dois vizinhos sul-americanos vem mantendo múltiplos incidentes de fronteira nos últimos meses, tendo a situação entre os dois se agravado com a decisão da Colômbia de ceder sete bases para aviões dos EUA e o presidente da Venezuela Hugo Chávez ter interpretado o fato como uma ameaça de guerra contra o seu país. Tanto que no domingo resolveu conclamar os venezuelanos para estarem prontos para a guerra. Já falei e volto a repetir que esta mobilização que Chávez faz com a população é só para tapar o sol com a peneira, ou seja, é para camuflar os problemas maiores do país que são as crises energética e econômica, o inchaço da PDVSA, além da falta de liberdade.
O Brasil já exerceu algumas mediações na região, como na Guerra do Condor, entre Peru e Equador, e em conflito anterior entre os próprios Colômbia e Venezuela. Todavia, na atual crise de Honduras o Itamaraty ficou ao lado de Zelaya e não conseguiu ser um interlocutor. Lula tem demonstrado confiança de que em reunião a ser realizada no próximo dia 26 em Manaus, ele conseguirá um acerto entre Uribe e Chávez. Não vai ser fácil. Porque Chávez não vai querer perder o ponto externo que tem para bater. Vale lembrar também que Chávez perdeu o seu referencial desde que George Bush deixou a Casa Branca. Ele deixou de ter alguém em quem jogar a culpa por todos os males da América Latina. Em Obama ele não pode bater, mas, em compensação, usa como alvo a parceria dos EUA com a Colômbia.
A propósito, esses arroubos que hoje Chávez faz com a Colômbia, pode amanhã estar fazendo com o Brasil. Daí justificar-se a compra de caças, helicópteros e armamentos que Lula está pretendendo fazer.