O Brasil segue batendo de frente com os EUA, numa disputa em que, gradativamente, vai perdendo a razão e o apoio internacional. Hoje está chegando ao país o secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, Arturo Valenzuela. Não será recebido pelo chanceler Celso Amorim. Este está invocando aspectos hierárquicos para não recebê-lo. Diz que sua obrigação seria receber sua equivalente na diplomacia americana, que é a secretária de Estado Hilary Clinton. A boa educação diplomática, no entanto, mandaria Amorim receber Valenzuela. Mas ele passou a missão para um de seus subalternos e para o assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia.
As desavenças entre Brasil e EUA estão nos temas que Valenzuela vem tratar: Irã, Honduras e clima. Quanto ao Irã, a secretária Hilary Clinton já fez uma declaração forte na semana passada, sem citar o Brasil, pedindo aos países da América Latina que se envolverem com o Irã que pensem duas vezes, pois poderão sofrer consequências. A manifestação se dá duas semanas depois de o Brasil ter recebido o presidente iraniano Mahomoud Ahmadinejad. E se dá, seguramente, por uma frustração dos EUA para com o presidente Lula nesse tema. Ocorre que o presidente Obama havia pedido a Lula que intercedesse junto a Ahmadinejad, para que este aceitasse a proposta do Ocidente no sentido de o urânio utilizado pelo Irã ser enriquecido na Rússia e na França. Lula nem tocou no assunto. Defendeu o direito de o Irã ter o seu programa nuclear e apenas ressaltou que deveria se submeter aos critérios internacionais. Lula decepcionou Obama e boa parte da comunidade internacional, preocupada com o fato de que o Irã pode chegar até a bomba atômica.
Vem também a questão de Honduras. Depois do impasse para um entendimento entre o presidente deposto Manuel Zelaya e o presidente de fato Roberto Micheletti, os EUA, assim como muitos outros países, reconheceram como legítimas as eleições presidenciais realizadas a 26 de novembro e que elegeram Porfirio Lobo para assumir a presidência a 27 de janeiro. O Brasil não reconheceu o pleito. Entende que o mesmo foi realizado sob um regime golpista. Sendo assim, nunca um país que sofreu um golpe voltaria à democracia. A posse de Lobo vai consagrar o retorno de Honduras à democracia e contrariar esse fato significa ir contra a realidade dos fatos.
São dois temas que o Brasil precisa rever sua posição. Quanto ao clima, o tema fica por conta dos negociadores que estão em Copenhague.