Depois de permanecer quase três meses abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, o presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya está tentando agora ir para o México. Seu deslocamento, no entanto, está esbarrando no que tem sido uma constante em Honduras: a falta de entendimento entre Zelaya e o presidente que assumiu, Roberto Micheletti. O impasse está no seguinte ponto: O México pediu ao governo de Honduras um salvo-conduto para que Zelaya viaje ao país como hóspede, o que lhe permitiria circular livremente por território mexicano. Ali Zelaya pretendia reunir-se com o presidente eleito de Honduras Porfírio Lobo. No entanto, o governo de Micheletti disse que Zelaya só poderá sair se renunciar ou se pedir asilo político. Zelaya diz que quer deixar Honduras como um convidado distinto e não como um refugiado. Algo muito difícil no atual contexto. O presidente deposto já não tem praticamente nenhum apoio interno. Externamente, recebeu o apoio dos países do Mercosul, que não estão reconhecendo a eleição realizada no fim de novembro. O que significa bater de frente com EUA, com um bom número de países pelo mundo afora e com o processo mais sagrado da democracia que é a eleição.
A propósito, o Brasil tem que aproveitar esta boa vontade do México e ajudar no processo, para se livrar desse hóspede que transformou a embaixada brasileira no seu escritório particular.