O ex-embaixador dos EUA em Brasília Clifford Sobel produziu um documento ao seu governo, afirmando que a cidade de Brasília é vulnerável a ataques terroristas. Baseou sua colocação no fato de um homem ter roubado um pequeno avião em Lousiânia, em 2009, e ter caído com o aparelho em shopping de Goiânia. Entendeu o embaixador que a ação da força Aérea Brasileira no episódio foi ineficiente e que, por conseguinte, seria ineficiente também em um ato de terror. Isto que o Brasil possui uma lei chamada do Abate, que permite abater aviões em pleno ar.
Acontece que esta lei é voltada para o combate ao narcotráfico. Porque esta é a nossa realidade. Diferente da realidade norte-americana. A guerra que travamos não é contra o terrorismo internacional, mas contra o tráfico. Guerra que é travada desde a fronteira com outros países fornecedores de droga até as favelas do Rio de Janeiro, como todo o mundo teve oportunidade de assistir dias passados. Assim é que a Lei do Abate está voltada para os aviões que fazem vôos clandestinos.
SUÉCIA COMO ALVO
Estocolmo, a capital da Suécia, foi alvo de dois atentados neste fim de semana que, felizmente, resultaram na morte apenas do autor. Algo raro em episódios desse gênero. Segundo a polícia sueca, fosse mais cedo, o atentado poderia ter causado uma catástrofe. O homem suicida foi identificado como sendo o iraquiano Taymour Al-Abdaly, de 29 anos. O seu ato seria em protesto contra a guerra no Iraque, o conflito na Tchechênia e à base de Guantánamo. Então, aí é de se perguntar: o que a Suécia tem a ver com isto? A Suécia não tem soldados no Iraque e nem na Tchechênia. Não tem influência sobre nenhum desses conflitos. E tampouco tem qualquer ingerência sobre a base que os EUA mantém em Guantánamo, na ilha de Cuba. Então, porque ser alvo do terror? Se o ato fosse praticado na vizinha Dinamarca, até se poderia compreender, pelo fato de que o país participou com um pequeno contingente da força de Coalizão, liderada pelos EUA, que invadiu o Iraque. Mas a Suécia não tem nada a ver com nenhum dos temas levantados pelo autor do atentado. Ou seja, se um ato destes já é injustificável mesmo num país que tenha envolvimento com os temas levantados, muito menos em um que não tem nada a ver. E que prima pelo pacifismo e pelo acolhimento de dissidentes políticos.