O fato de a ONU ter decidido renovar por mais um ano a sua atuação dentro do Iraque, merece uma reflexão. A organização está atuando no país desde agosto do ano passado com 65 agentes, número que passa para 95. O objetivo desses agentes é tentar promover uma diminuição nas divergências entre os grupos xiitas, sunitas e curdos que, diariamente, se matam no Iraque. Aliás, explosão de carro-bomba ou de terrorista suicida faz parte do cotidiano daquele país. Agir em meio esse caos é o papel dos representantes da ONU.
Bem! Aí vem uma indagação: que são os responsáveis por essa situação caótica estabelecida no Iraque? Todo mundo sabe: os EUA e os demais países que participaram da coalizão que invadiu o Iraque. O curioso, é que foram os EUA que pediram a renovação do papel da ONU em terras iraquianas. Pois, quando o governo Bush deicidiu atacar o Iraque, em março de 2003, a ONU estava com os seus inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica no Iraque, para verificar se existiam ou não as tais armas de destruição em massa que Bush alegava ter. A organização teve que tirar às pressas os agentes de terras iraquianas sob pena de levarem pela cabeça as bombas americanas. O então secretário-geral da organização, Koffy Anan, pediu que fosse votada no Conselho de Segurança do organismo a decisão de atacar ou não o Iraque. Bush não deu a mínima. Seguiu em frente com a sua farsa para a guerra.
Hoje o presidente americano quer que a ONU ajuda a apaziguar o Iraque que ele destruiu e desestabilizou. Dentro de seu papel humanitário que sempre cumpre, a organização não vai se negar a ajudar. Mas, para isto, deveria impor como condição, pelo menos, uma retratação de Bush pelo estrago que promoveu. Infelizmente, dentro do atual contesto de correlação de forças, isto é utopia.