O presidente Bush cumpre hoje na Guatemala a penúltima etapa de seu tumultuado giro pelas Américas. Os temas a serem tratados não diferem muito daqueles que envolvem os demais países do roteiro: segurança, imigração, tráfico e bioenergia. E, como nos demais lugares por onde passou, há manifestações contra Bush. Na Guatemala com um componente a mais. Bush tem programada uma visita às ruínas maias de Imimché, no departamento de Chimaltenango. Ou seja, para significativa parte da população local, Bush estará profanando a cidade sagrada.
Mas, independentemente de paixões, há que se seguir analisando essa viagem. Nesse aspecto, há uma entrevista muito interessante na Folha de São Paulo de hoje com o historiador Greg Grandin, da Universidade de Nova York. Ele situa muito bem a posição dos EUA com relação à América Latina nos últimos anos. Segundo ele, nos anos 70 e 80, os EUA exerceram na região o “maquiavelismo diplomático”, ou seja, o uso da força e da pressão política exercidos em nome da explicação moral de “libertação dos povos”. Que é a mesma política que hoje está sendo posta em prática no Iraque. Ou melhor, estão tentando colocar em prática. Mas as adversidades são imensas.
E ao se dar conta dessas adversidades e das dificuldades para colocar em prática essa política, que os EUA perceberam também que a América Latina, cenário onde a experiência fora aplicada com sucesso, estava se “desgarrando”. Sob forma diferente, está de volta na região o esquerdismo utópico então inspirado pela revolução cubana e hoje sob a batuta de Hugo Chávez. Daí a razão da visita.
Mas, volta-se à indagação sobre os resultados da visita. Pois, diante da necessidade de recuperar o domínio, alguma concessão terá que ser feita. Especialmente, para os integrantes do roteiro de viagem. Mas, evidente, tudo a conta gotas.