Duas semanas depois de ter convidado o embaixador dos EUA em Caracas, Patrick Duddy, para encontros mais freqüentes, buscando uma reaproximação com Washington, o presidente venezuelano Hugo Chávez toma outra atitude agressiva contra os EUA. Durante encontro em Moscou, nesta terça-feira, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ele defendeu o rearmamento do Exército venezuelano como resposta ao que chamou de “agressivos planos” dos EUA. Chávez também disponibilizou a Venezuela para uma base militar russa e reafirmou sua intenção de continuar com a cooperação militar entre os países.
Pelo que foi informado, Chávez foi à Rússia para fazer um rancho em termos de armamentos. Aliás, há muito que ele vem comprando armas da Rússia, onde se incluem os 100 mil fuzis Kalashnikov AK-103 para armar as milícias populares, para o caso da ameaça que está sempre na cabeça de Chávez: uma invasão dos EUA. De acordo com uma fonte citada pelo jornal digital Gazeta.ru, Caracas negocia a compra de 20 sistemas antiaéreos Tor-M1, os mesmos que o Irã adquiriu no final de 2005; três submarinos diesel-elétricos do tipo Varshavianka e outros seis da classe Amur; dez navios de superfície de distinta classe; 20 aviões patrulha Il-114 e dez helicópteros Mi-28N.
A Rússia sempre defendeu a venda de armamento, tanto à Venezuela como ao Irã e à Síria, cujos regimes não agradam aos EUA, ressaltando que não alteram o equilíbrio estratégico nas respectivas regiões. Nos últimos anos, a Venezuela transformou-se no principal cliente da indústria militar russa na América Latina, já que adquiriu 24 caças-bombardeiros Sukhoi-30MK2, 50 helicópteros de diferentes tipos, além dos 100 mil fuzis Kalashnikov AK-103.
Diante de tudo isto, não são os EUA, mas os vizinhos que precisam tomar cuidado com este armamentismo da Venezuela.