O presidente venezuelano Hugo Chávez não pode ficar fora da mídia internacional. Sempre dá um jeito de fazer uma provocação, como fez neste domingo, no seu programa de rádio e TV “Alô Presidente”. Descarregou sua verborragia, como sempre, no seu alvo preferido: “o imperialismo ianque”. Que, aliás, ele já culpara em Copenhague pelo aquecimento global. Desta vez a ação americana vem, segundo Chávez, em conluio com a Colômbia. Ele denunciou que pequenos aviões, de dois ou três metros, operados por controle remote, teriam invadido o espaço aéreo venezuelano, procedentes da Colômbia. E para mostrar toda sua bravura, mandou derrubar os aviões. O que não se sabe se foi feito. Mas o discurso ganhou ênfase.
Chávez disse ainda que “são evidentes” os preparativos de agressão a seu país por parte da Colômbia e dos Estados Unidos, e ressaltou que a Venezuela “não está de braços cruzados”. Segundo ele, as forças armadas e o governo da Colômbia, ao lado do “governo ianque”, movimentam unidades militares na fronteira colombiana com a Venezuela. “Quase todos os dias dizem que eu estou preparando um ataque contra a Colômbia, mas são eles [Colômbia e EUA] que buscam uma desculpa para dizer que a Venezuela é o agressor”.
Quem quiser que acredite nesse discurso, cuja finalidade é a conhecida ação dos governos de força. Diante de sua incapacidade para gerir as questões internas, criam um inimigo externo para tentar cooptar a população. O diferencial é que boa parte dos venezuelanos já não acredita mais em Chávez.