Por incrível que possa parecer, o presidente da Venezuela Hugo Chávez está trocando a sua conhecida verborragia por propostas mais sensatas, que envolvem até a paz com os EUA. Chávez já havia surpreendido com a sua declaração de 8 de junho, dizendo que não há mais lugar para as Farc na América Latina. Justo ele que foi o agente que conseguiu junto às Farc a libertação de dois grupos de reféns, em fevereiro e março deste ano. É bem possível que tenha feito tal declaração por estar percebendo que o movimento narcoguerrilheiro colombiano está debilitado e não tem mais futuro.
No entanto, mais surpreendente foi a manifestação que fez ao embaixador norte-americano em Caracas, manifestando o desejo de seu governo de reabrir o diálogo com Washington. Segundo a agência de notícias France Presse, Chávez deseja cooperação na luta contra o narcotráfico. A propósito, o embaixador americano em Caracas Patrick Duddy manifestara a Chávez sua preocupação sobre o que considera uma aumento no tráfico de drogas da Colômbia para os EUA e Europa através da Venezuela. Na realidade, este é um problema crescente. Com todos os avanços que o presidente Álvaro Uribe teve na Colômbia no combate ao narcoterrorismo, a produção de coca no país aumentou em 27% em 2007 em relação a 2006.
Apesar de argumentar que a coca que sai da Colômbia o faz pela costa do Pacífico, Chávez convidou o embaixador para encontros mais freqüentes. Disse que com o embaixador John Maisto, que serviu em Caracas de 1997 a 2000, tomava café da manhã e conversava freqüentemente. Ressaltando a necessidade de retomada desse hábito para a luta contra o tráfico e a delinqüência. E disse mais: “Ganhe quem ganhar as eleições, o importante é que possamos sentar e conversar. Fazia isto com Bill Clinton (1993-2001)”.
Chávez mudou tanto o seu discurso que vai até se reunir, na sexta-feira, com o seu desafeto Álvaro Uribe. A quem, diga-se de passagem, cumprimentou pelo êxito da operação de resgate de Ingrid Betancourt. Resta conferir se esta mudança de Chávez é pra valer ou é só uma recaída.