A situação da Bolívia segue de mal a pior. Desde quinta-feira temos choques entre defensores do governo e opositores, com um número crescente de mortos a cada dia. Houve a ordem de prisão para o governador de Pando, Leopoldo Fernández, sob a acusação de instigar o conflito e desrespeitar o estado de sítio declarado pelo governo. Houve sabotagem ao sistema de fornecimento de gás, o que afetou o Brasil e a Argentina. E o que é pior, há a falta de diálogo, o que vem se estendendo por muito tempo.
Há a falta de diálogo e a falta de visão sobre o que possa ser uma intervenção externa nos assuntos internos do país. Basta ver que foram rejeitadas as ofertas dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela e Lula, do Brasil. Só que, se tratam de ofertas completamente diferentes. Aliás, Chávez não fez uma oferta, fez um anúncio, de que iria intervir militarmente na Bolívia, caso o presidente Evo Morales fosse deposto. As Forças Armadas bolivianos emitiram um comunicado rejeitando terminantemente a colocação de Chávez. Ainda bem. Mas o caso brasileiro é bem diferente. Ofereceu-se para servir de mediador nas negociações entre o governo central e os governadores dos quatro estados em que houve a votação por autonomia. Ora, a oferta brasileira é muito diferente da de Chávez. O presidente venezuelano acenou com uma intervenção externa. O governo brasileiro se ofereceu como mediador, do alto de sua experiência em mediar conflitos regionais, como o que envolveu Equador e Peru em relação à posse de uma área na Cordilheira de Condor.
Menos mal que os presidentes da Unasul – União de Nações Sul-Americanas, resolveram fazer uma reunião de emergência nesta segunda-feira para tentar ajudar a Bolívia a sair da crise. Mas é fundamental que encontrem ouvidos receptivos em La Paz, senão, de nada adiantará a mobilização.