Enquanto o ex-presidente americano Jimmy Carter articula uma reaproximação entre a Colômbia e o Equador, o presidente venezuelano Hugo Chávez resolveu roubar a cena e fazer uma manifestação em favor da entrega dos reféns por parte das Farc. E entregar sem pré-condições. Chávez afirmou ainda que “a essa altura na América Latina, está fora de ordem um movimento guerrilheiro armado e isso deve ser dito às Farc”.
Evidente que a declaração de Chávez tomou a todos de surpresa. Ele sempre foi um defensor da guerrilha das Farc e um dos poucos dirigentes que entendia a ação guerrilheira como uma luta política. Ainda recentemente, em 1º de março, por ocasião da incursão das tropas colombianas em território do Equador, para atacar o número 2 das Farc, Raúl Reyes, Chávez não só defendeu publicamente as Farc, como deslocou tropas para a fronteira com a Colômbia, como se fosse o seu país que tivera sido atacado. A propósito, foi em função desse ataque colombiano em terras equatorianas que os dois países romperam relações. Nos últimos dias, ex-presidente Carter iniciou uma mediação para que os dois países reatem relações, sem pré-condições. E, segundo as chancelarias de Bogotá e de Quito, o assunto está bem encaminhado, devendo se dar logo o reatamento.
Pois, enquanto as comunidades colombiana e equatoriana saudavam o fato, surgia a surpreendente manifestação de Chávez. “Acho que chegou à hora das Farc libertarem todos os [seqüestrados] que mantém na montanha a troco de nada. Seria um grande gesto humanitário”, disse o dirigente bolivariano. A estas alturas é de se indagar: a troco de que, Chávez está fazendo esta declaração?
Pois bem, quando a guerrilha quis entregar alguns reféns, no início do ano, usou o presidente Chávez como interlocutor. Estaria ele agora falando em seu nome ou, mais uma vez, em nome da guerrilha? O futuro imediato responderá.