O governo venezuelano entregou nesta segunda-feira aos responsáveis pelas embaixadas dos Estados Unidos e da Holanda “uma nota de protesto” pela “incursão ilegal” na Venezuela de um avião militar americano. Esta dita incursão teria acontecido na sexta-feira, mas foi negada de forma veemente por Washington. Segundo o ministro de Relações Exteriores da Venezuela Nicolás Maduro, a ação foi feita por um avião norte-americano que partiu da ilha de Curacao. Daí o fato de o protesto envolver também a Holanda. Segundo Maduro, a Venezuela enviou caças F-16 para interceptá-lo. E enfatizou que a ação faz parte de um plano para tentar provocar algum tipo de incidente com a Venezuela.
Pois eu diria que a história contada por Micolás Maduro faz parte de um plano para tentar abafar os incidentes que tem tumultuado a Venezuela nos últimos dias. Começam pela falta de luz, passam pela falta de água e chegam à corrida que se deu nesta segunda-feira às lojas, para a compra de artigos, diante do temor de uma alta generalizada de preços, em decorrência da desvalorização da moeda venezuelana. Não é sem razão que o protesto do governo bolivariano de Hugo Chávez se deu no mesmo dia em que os venezuelanos esvaziaram os estoques das lojas e Chávez teve que ameaçar chamar o exército para ajudar no controle de preços do comércio.
CONTROLE
O presidente venezuelano Hugo Chávez acabou tendo que cumprir sua promessa de colocar o exército nas ruas. Só que, não foi para reprimir manifestações contra o seu governo, mas para impedir que os estabelecimentos comerciais remarcassem os preços dos artigos, no primeiro dia últil depois da desvalorização da moeda venezuelana, o bolívar forte. Na sexta-feira, ele determinou que o bolívar, mantido a 2,15 por dólar desde 2005, passasse a valer 2,60 para produtos de primeira necessidade, remessas ao exterior e importações do setor público, e 4,30 para os demais produtos. Milhares de venezuelanos correram ao comércio para comprar eletrodomésticos, que são importados, porque o país não produz praticamente nada. Com a desvalorização da moeda, é lógico que o produto se torna mais caro para os comerciantes que importam. E é lógico também que precisam passar o reajuste para o consumidor. O que Chávez não quer de jeito nenhum. Daí o fato de ter colocado o exército na rua.
Ou seja, o bolivariano está introduzindo mais uma novidade na economia: controle do mercado através das armas.