A CIA, a Agência Central de Inteligência dos EUA, tem cometido falhas gritantes na sua ação de combate ao terror. Começou com o episódio envolvendo o avião da Northwest que fazia o voo Amsterdã-Detroit, que só não explodiu no ar, matando 290 pessoas, porque falhou o artefato que era levado pelo nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab. A agência havia sido advertida pelo próprio pai do terrorista sobre as suas intenções. Ele também era fichado como integrante da Al Qaeda e, com tudo isto, conseguiu embarcar. Após o episódio, o presidente Barack Obama assumiu a responsabilidade pelas falhas. Ou seja, poupou o diretor da CIA.
Pois, não bastasse isto, a agência foi alvo de um atentado no Afeganistão, que matou sete de seus principais agentes naquele país. Ato praticado pelo médico jordaniano Khalil Abu-Mulal Balawi, que se passava por agente duplo e que prometera entregar a cabeça do número 2 da Al Qaeda Ayman Al-Zawahiri. Encantados com a promessa, os agentes não revistaram o jordaniano, que entrou na sala carregado de explosivos. Foram todos pelos ares. Mais uma falha grosseira de quem luta contra o terror.
SEM TERRITÓRIO
A mobilidade com que a Al Qaeda se deslocou do Afeganistão para o Iêmen demonstra que o grupo age rapidamente e não tem um território fixo para sua atuação. Aliás, isto desmonta a teoria da “guerra ao terror” de George Bush, a qual era desenvolvida em termos territoriais. O terror não pátria, não tem território. Pode agir em qualquer lugar e qualquer momento. E o que é pior, não depende de grandes contingentes. Depois que criaram o terrorista suicida, basta um para fazer o estrago. E é justamente nessa figura que a Al Qaeda está alicerçando suas atividades e convertendo para tal até figuras de formação universitária, como o médico jordaniano Khalil Abu-Mulal Balawi, que se explodiu dias atrás no Afeganistão, levando junto sete dos agentes top da CIA naquele país.
E para piorar ainda mais, agora estão querendo dar aura de romantismo ao terrorismo. A mulher do terrorista jordaniano acaba de compará-lo a Che Guevara. Só não sei como o terrorismo vai endurecer mantendo a ternura, conforme propunha Che.
Resta o registro de que o terrorista jordaniano, antes de morrer, gravou um vídeo que foi depois divulgado pela rede Al Jazeera, onde ele diz que o seu gesto era uma vingança pela morte do líder do Talibã paquistanês Baitullah Mehsud, executado pelos americanos em agosto. Ou seja, o homem que formou-se em medicina e prestou juramento para dedicar-se a defender a vida, se deixou levar pelo fanatismo religioso para tirar a sua vida e as de mais sete pessoas.