Os dois candidatos à presidência dos EUA tem visão diferente quanto à questão do Iraque. O democrata Barack Obama fala em saída imediata. O republicano John McCain quer uma saída vitoriosa. A retirada não será nem de uma forma e nem de outra, e já está sendo articulada. Após seis meses de negociações, representantes dos EUA e do Iraque chegaram a um acordo. O texto dá amparo legal para a presença americana em território iraquiano a partir do ano que vem e estabelece uma retirada gradual, que estaria completa até 30 de junho de 2011.
Para que possa se dar a saída dos cerca de 150 mil soldados da coalizão que estão no país, é necessário a formação e treinamento de tropas iraquianas para substituí-los. Pois esta tarefa a Inglaterra está se dispondo a fazer. O novo ministro da Defesa do Reino Unido, John Hutton, que está em visita surpresa ao Iraque, disse neste domingo que “haverá uma mudança fundamental” no papel das tropas britânicas no país árabe durante o primeiro semestre de 2009. Após se reunir em Bagdá com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, Hutton disse que os dois governos, até o fim do ano, querem chegar a um “acordo formal” que defina o papel das tropas britânicas, que deverá se centrar na educação e na formação militar. Ou seja, vai cumprir o papel de preparar as tropas iraquianas para assumirem funções que hoje são dos americanos, britânicos e outros aliados que estão no Iraque.
O que está sendo acordado com o governo precisa ser aprovado pelo Parlamento. E não vai ser fácil. Ontem, os radicais xiitas, sob a liderança do clérico Moqstada Al Sadr, saíram às ruas de Bagdá para protestar contra o acordo. Querem a retirada imediata dos soldados estrangeiros.
Esses são entraves que serão vencidos. O importante é que começa a se delinear o esquema para a retirada americana.