A hegemonia do casal Kirchner na presidência da Argentina passou a ser ameaçada com o lançamento da candidatura do atual vice-presidente Julio Cobos, para a eleição de 2011. Teoricamente, é uma contradição o vice de um governo se apresentar como oposição. Este fato, inclusive, está sendo levantado dentro do partido de Cobos, a UCR, União Cívica Radical. Acontece que ele conseguiu marcar de forma ecoante a sua oposição ao governo Kirchner. Isto porque, na Argentina o vice-presidente da República é também o presidente do Senado. E foi no exercício dessa atividade que Cobos marcou sua oposição. Em meados de 2008, o Senado votava uma controversa medida do governo de Cristina Kirchner, que aumentava as taxas sobre os produtos agrícolas exportados. Houve empate na votação e coube a Cobos o voto de Minerva. Ele votou contra o governo e a favor do setor produtivo rural. Estava, naquele momento, dando o grande salto para a sua candidatura oposicionista.
O resultado é que hoje ele é o primeiro nas pesquisas de intenção de voto, com 51,5% de preferência. Seu mais próximo seguidor é o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, que tem 44%. Vem na sequência o ex-presidente Eduardo Duhalde com 39%, enquanto que o ex-presidente Néstor Kirchner aparece somente em quarto lugar, com 31% da preferência. Convenhamos que um índice ainda alto para quem resolveu bater de frente com o setor do agro-negócio, que é justamente aquele que impulsiona o crescimento do país. Este setor, evidentemente, está apoiando Cobos.