Não houve nenhuma divulgação sobre o teor da conversa que tiveram na Casa Branca o presidente George Bush e o seu sucessor eleito Barack Obama. A não ser a manifestação de Bush de que haveria uma transição suave. O termo suave é algo que não soa bem neste momento de turbulência da economia americana, onde as três grandes montadoras – Ford, GM e Chrysler – estão à beira da falência. Pois, segundo conseguiu apurar o jornal “The New York Times”, Obama teria pedido a Bush que encaminhasse alguma forma de ajuda à indústria automobilística. Sabe-se que cresce sobre elas a ameaça de concordata, tendo em vista que as reservas em caixa estão se esgotando e o mercado comprador está cada vez mais reduzido.
O governo americano já saiu em auxílio aos bancos. Mas condicionou essa ajuda ao controle dessas instituições pelo Federal Reserva, onde se inclui a indicação de diretores dos bancos. A indústria automobilística é um símbolo dos EUA e responsável por milhares de empregos. Sua quebra seria um desastre. Porém, não tem a controlá-la uma instituição como o Federal Reserve. E, será que uma vez recuperadas, essas instituições irão devolver o dinheiro que o governo emprestou?
A indagação fica no ar.
JOGO DE BASTIDORES
Embora nada tenha sido divulgado sobre o teor da conversa que tiveram ontem na Casa Branca George Bush e Barack Obama, pouco a pouco vão surgindo especulações sobre o que foi abordado. Afinal, foram duas horas de conversa entre duas pessoas que tem pensamentos diferentes sobre o modo de conduzir o governo. Em função disto, a informação concreta é de que está sendo travado um intenso jogo nos bastidores. Bush querendo aproveitar os 71 dias que lhe restam de governo para aprovar novas regulamentações e Obama tentando evitá-las ou se municiando de dados para anulá-las tão pronto assuma o poder.
Nos EUA o governo usa a Ordem Executiva, que equivale à nossa Medida Provisória. Só neste ano, Bush assinou 22 ordens, a maior parte delas ligadas às questões de liberdades civis e meio-ambiEnte. Aliás, duas áreas que perderam muito durante o governo Bush.
No entanto, se Bush e Obama divergem sobre uma série de coisas, precisam convergir sobre a questão econômica, pois esta é a mais urgente de todas. Em outubro 240 mil americanos perderam seu emprego. Ontem, a Circuit City, a segunda maior rede de eletroeletrônicos do país, pediu concordata. As três gigantes do automobilismo estão à beira da falência. Então, mais do que divergir sobre temas genéricos, Bush e Obama precisam convergir sobre econbomia, sob pena de o país afundar ainda mais na crise e tornar o governo de Obama inviável.
AUXÍLIO AOS MUTUÁRIOS
Já não era sem tempo para o governo dos EUA anunciar um programa de ajuda para quem perdeu ou está na iminência de perder a sua casa própria. Finalmente, tem-se a informação de um programa nesse sentido, o que demorou muito, diga-se de passagem, porque as duas principais agências imobiliárias já foram salvas pela estatização há mais de dois meses. A Fannie Mae e a Freddie Mac possuem cerca de 31 milhões de hipotecas. Ou seis em cada dez casas vendidas nos EUA.
Nesta terça-feira, A Agência Federal de Financiamento Imobiliário anunciou uma extensão do programa “Hope Now”, “Esperança Agora”, visando evitar mais execuções de hipotecas de proprietários inadimplentes.
Um estudo recente da Moody’s Economy.com estima que 7,3 milhões de chefes de família que adquiriram a casa própria ficariam inadimplentes entre 2008 e 2010, e que 4,3 milhões deles poderiam perder suas residências. Cerca de 80% das famílias americanas são proprietárias das casas onde vivem. O programa “Hope Now”, que reúne credores, conselheiros e investidores, anunciou no final de outubro ter evitado 2,5 milhões de execuções hipotecárias desde julho de 2007.
Vale lembrar que foi a crise da hipotecas que abalou o sistema bancário americano, fazendo com o que o governo tivesse que socorrê-lo. Portanto, nada mais justo agora do que socorrer os mutuários inadimplentes.