O presidente do Equador Rafael Correa tornou público, através de seu programa de rádio, que assinou o decreto de expulsão da Odebrecht do país. Isto, depois das manifestações do governo brasileiro e das ações que o presidente Lula fez diretamente com Correa, quando os dois se encontraram, dias atrás, em Manaus. A reação do governo brasileiro foi de suspender a ida ao Equador de uma missão liderada pelo ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que trataria de uma ligação entre o porto equatoriano de Manta, no Pacífico, a Manaus, possibilitando um corredor interoceânico. A proposta previa a construção de estradas, portos, aeroportos e hidrovias.
Em seu programa de rádio, Rafael se mostrou surpreso e disse não entender a reação do Brasil. Será que ele pensava que a sua atitude não iria ter reflexo nenhum nas relações com o Brasil? Será que ele não se deu conta de que estava expulsando uma das maiores construtoras brasileiras, que desenvolve cinco grandes obras no Equador, as quais tem financiamentos de mais de 500 milhões de dólares do BNDES, ou seja, de um banco governamental brasileiro. Será que ele não se deu conta de que uma ação destas pode quebrar a empresa e trazer enorme prejuízo para os trabalhadores da mesma e para o banco brasileiro que financiou as obras?
Pelo que se observa, nada disse constou para Correa. Ou seja, o que não dá para entender é a atitude do governante equatoriano.
Lula foge do caso
Ao ser indagado na Espanha sobre a questão que envolve a expulsão da Odebrecht do Equador, o presidente Lula disse que esse era um problema comercial no qual ele não se metia. Soa estranha esta resposta num momento em que uma das maiores construtoras brasileiras teve militarizadas as obras que realiza no Equador. E obras que não são pouca coisa. São, a hidrelétrica de San Francisco, que fornece 12% da energia que o Equador consome, obra orçada em 338 milhões de dólares. A única central hidrelétrica do mundo que é totalmente subterrânea. Ainda tem outra hidrelétrica, de Toachi-Pilatón, obra de 366 milhões de dólares. Mais a barragem de Carrizal-Chone, 80 milhões de dólares, o aeroporto de Tena, 55 milhões de dólares e um projeto de irrigação nos Andes, que atinge 190 milhões de dólares.
Como se observa, são obras que ultrapassam um bilhão de dólares. E mais da metade deste montante é financiado pelo BNDES, ou seja, por um banco estatal brasileiro. Será que com tudo isto o presidente Lula não tem nada a ver?
O fato é que Lula está sendo desconsiderado por seu amiguinho Rafael Correa, que é discípulo de Hugo Chávez. Quando se encontraram duas semanas atrás em Manaus, Lula intercedeu pela Odebrecht junto a Correa. Porém, pela que se observa, o dirigente equatoriano não deu a mínima para Lula. E o que se espera agora é uma ação mais incisiva do governante brasileiro em defesa da empresa brasileira. Se assim não proceder, não tem porque ele seguir com suas viagens pelo mundo em nome da abertura de novos negócios, tendo em vista que não dá proteção a esses negócios.