O presidente Barack Obama resolveu convocar uma cúpula em Nova York, preocupado que está com a possibilidade de, no futuro, as armas nucleares virem a cair em mãos de terroristas. Todavia, no dias de hoje, a preocupação do presidente americano é com o Irã. Mais, especificamente, com o programa nuclear, que o presidente iraniano diz ser para fins pacíficos, mas os EUA e outros países temem que seja para chegar até a bomba. Ao anunciar para o mundo, semana passada, que os EUA não usariam armas atômicas contra países que não as possuem, a não ser se se sentissem ameaçados, Obama colocou como exceção o Irã e a Coréia do Norte. Dois países que assinaram o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Os norte-coreanos acabaram se afastando do documento, três anos atrás, quando fizeram um teste nuclear. Mas o Irã, pelo menos teoricamente, segue sendo signatário do acordo e, portanto, com direito a seguir com seu programa nuclear para fins pacíficos. Assim como fazem Brasil, Argentina, Alemanha, Itália e tantos outros. Assim, o que é preciso é manter o país sob o controle da Agência Internacional de Energia Atômica. Que é o que não estão conseguindo. O que demonstra um incompetência ou intolerância na negociação.
BRASIL COMO MEDIADOR
O Brasil segue tentando agir de bombeiro no caso do programa nuclear do Irã. Isto é o que se depreende do encontro que tiveram ontem, em Nova York, o presidente Lula e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. Ambos estão tentando levar adiante uma proposta apresentada dias atrás e que consiste em usar um terceiro país como intermediário no processo desenvolvido pelo Irã e que está em discussão com o Ocidente.
A questão é a seguinte. Os dois lados estiveram próximos de um acordo, o qual estabelecia que o urânio pouco enriquecido do urânio, a 3%, seria encaminhado para um outro país, que poderia ser França ou Rússia, para ser enriquecido a 20%, que é o que se precisa para uso medicinal e para geração de energia. Ou seja, com isto, o Ocidente teria a certeza que o urânio do Irã não seria enriquecido a 90%, que é o que se precisa para a bomba atômica. O Irã concordou com a proposta, mas exigiu o recebimento do urânio a 20% no mesmo momento em que entregasse o seu de 3%. Isto gerou impasse e o acordo parou.
Dias atrás, o Brasil sugeriu uma solução intermediária. A iniciativa consistiria no envolvimento de um terceiro país, que receberia imediatamente uma parte do urânio enriquecido a 3,5% pelo Irã e o trocaria por combustível nuclear vindo de países ocidentais, Esta solução estaria atendendo às exigências de EUA e aliados, que temem que o urânio de baixo enriquecimento nas mãos do Irã seja usado para fins bélicos, quanto as desconfianças de Teerã, que teme entregar o material e não recebê-lo de volta.
Esta proposta está sendo apresentada num momento em que até a China se inclina a aprovar sanções contra o Irã. Assim, se conseguirem um consenso, Brasil e Turquia terão se consagrado como mediadores.