Informações procedentes de Quito dão conta de que houve um acordo entre a empresa brasileira Odebrecht e o governo do Equador. Vale lembrar que na semana passada o presidente Rafael Correa havia determinado o embargo das obras da Odebrecht no país e a ocupação da obras pelo exército.
O conflito está relacionado às obras da hidrelétrica de São Francisco, realizadas pela Odebrecht. Localizada na região central do Equador, a usina é responsável por 12% da produção total de energia do país. Foi inaugurada há 14 meses, mas deixou de funcionar em junho, devido ao desgaste prematuro das rodas d´água das turbinas e ao desabamento parcial do túnel por onde passa a água. A Odebrecht havia se comprometido a resolver os dois problemas e recolocar a usina em funcionamento até 4 de outubro. No entanto, o governo equatoriano resolveu cobrar indenização sobre os lucros cessantes. A empresa, inicialmente, não aceitou a cobrança porque isto não constava do contrato. Mas depois houve um acordo, com a empresa se dispondo a pagar 43 milhões de dólares de indenização e assumindo todos os custos de recuperação das obras. Surpreendentemente, no entanto, o governo equatoriano depois de aceitar o acordo resolveu rompê-lo. Militarizou a usina, confiscou quatro outras obras que a Odebrecht tem no país e proibiu os executivos da companhia de deixar o país. Os contratos das quatro obras da Odebrecht no Equador são estimados em meio bilhão de dólares.
Foi criado um caso entre dois países vizinhos, mas que não chegou a transpirar como tal na imprensa. Tanto que o presidente Lula teve um encontro com Correa, nesta segunda-feira, em Manaus, e foi anunciado que o assunto Odebrecht não estaria na pauta, porque deveria ser resolvido entra a empresa e o governo equatoriano. Isto é o que foi anunciado, agora, ninguém duvida que Lula tenho pressionado Correa para um acordo, tendo em vista que a empresa brasileira se dispôs, inclusive, a indenizar o governo equatoriano, caso venha a ser responsabilizada pelos danos. E mais: que Correa ameaçou dar o calote na Odebrecht, cujas obras foram financiadas pelos BNDES. Ou seja, um organismo do governo brasileiro que levaria o calote.
Então! Alguém acredita que não houve uma pressão por parte de Lula, para Correa voltar atrás em sua decisão? Sem dúvida, prevaleceu a sutil persuasão de Lula.