Miami, como toda cidade americana, ainda se ressente da crise que se abateu sobre os EUA em 2008. Como toda a economia do país, experimentou um pequeno crescimento em 2010, depois do afundamento de 2009. Afundamento que, conforme me conta o brasileiro Bruno Vargas, que mora aqui e que trabalha com locação de automóveis, fez cair o preço dos imóveis de uma maneira tão acentuada que, um apartamento que valia um milhão de dólares está sendo vendido agora por 300 a 400 mil dólares. Isto tem feito com que os brasileiros, que estão com o real valorizado frente ao dólar, tenham avançado nos negócios imobiliários por aqui. E é impressionante a presença de brasileiros. A gente os encontra por toda a parte. Sejam os que vêm a turismo ou os que estão aqui para trabalhar. E aqueles que estão para trabalhar você os encontra em lojas, bares, restaurantes e até de manobrista, como foi o caso do menino que veio me trazer o carro que eu deixara em um estacionamento de Miami Beach. Mas este, pelo menos, está aqui para estudar e o trabalho de manobrista é uma forma de defender uns trocos.
Mas, para quem vem de fora, Miami não parece uma cidade que esteja enfrentando uma crise. A cidade segue cada vez mais pujante. Prédios suntuosos, estradas e rodovias amplas, sempre de quatro a cinco pistas de cada lado. Veículos novíssimos, em sua maioria importados: Mercedes, BMW, Toyota, etc. Ou seja, a indústria nacional está em baixa aqui. Cumpre destacar que, apesar de todo mundo ter seu carro, não há congestionamento de veículos. O trânsito flui em toda parte, simplesmente, porque se faz obras de infraestrutura. Amplas avenidas, de superfície ou elevadas, cortam a cidade por todos os lados.
Além disto, há um excelente transporte público de massa, que é tudo o que eu queria para Porto Alegre. A cidade é cortada por um trem que circula sobre pilares, de forma semelhante ao que está sendo feito com o nosso Trensurb no trecho entre São Leopoldo e Novo Hamburgo. Este trem tem como apoio um outro sistema, também elevado, chamado “Sky Train”, de veículos menores, parecidos com o Aeromóvel do Koester, que está parado aí em Porto Alegre. Eu imagino uma situação para nossa cidade, onde, ou invés de se continuar falando em metrô subterrâneo que nunca irá sair, termos linhas elevadas do Trensurb, que é um metrô, para Cachoeirinha, Alvorada, Gravataí, Viamão e Zona Sul da cidade. Com estas linhas tendo como ponto de apoio o Aeromóvel ou algo semelhante. Sei que é um sonho, mas fica sugestão para nossos governantes. Ah! Um detalhe, no país do capitalismo, este sistema de transporte de Miami, o “Sky Train”, é gratuito.
Já tinham me dito que 90% dos motoristas de táxi em Miami são haitianos. Achei exagerado o número. No entanto, se depender da minha experiência, a estatística se confirma. Tanto o motorista do táxi que me levou do aeroporto para o hotel, quanto o que fez o trajeto inverso eram do Haiti. Assim como era do Haiti o primeiro atendente que me prestou serviços no hotel. Vieram se juntar ao contingente extraordinário de latino-americanos que trabalham na Flórida. O que faz com o espanhol seja um idioma tão falado quanto o inglês. Porém, pelos mais diversos pontos de Miami ouve-se cada vez mais o português, dos brasileiros que, com o real valorizado, estão tomando conta do paraíso das compras.