A política externa brasileira não esteve presente em nenhum dos dois discursos que a presidente Dilma Rousseff pronunciou logo que assumiu o cargo. No entanto, ela mal assume e já se depara com um problema de relações internacionais. No caso, com a Itália, em vista da negativa do presidente Lula de extraditar o italiano Cesare Battisti, que é condenado à prisão perpétua em seu país, por implicações nas mortes de quatro pessoas. Ele foi um militante político de extrema-esquerda, durante a década de 1970, período em que teriam acontecido as mortes. Em um de seus últimos atos à frente do governo, Lula decidiu não extraditar Battisti, por entender que se ele voltasse para a Itália poderia sofrer perseguição ou discriminação por sua atuação política. Eu seja, declarou não confiar na Justiça italiana. A decisão do governo brasileiro de manter Battisti no país fez com que a Itália chamasse de volta o seu embaixador, fato que linguagem diplomática se constitui numa clara manifestação de discordância e no primeiro passo para o rompimento de relações.
O primeiro revés para o governo brasileiro poderá vir no dia 11 próximo, quando o Parlamento italiano deve votar a aprovação de um acordo de cooperação militar firmado entre Brasil e Itália, que prevê o desenvolvimento de projetos para a construção de navios da patrulha oceânica, fragatas e embarcações de apoio logístico.
Por fim cabe perguntar: em que justiça cabe confiar mais, na da Itália ou na de Cuba. Lula não extraditou Battisti para a Itália, mas entregou para Cuba os dois boxeadores que haviam pedido asilo no Brasil.