(artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 08/03/09)
Ao chegar a Bruxelas, nesta quinta-feira, depois de sua passagem pelo Oriente Médio, a secretária de Estado americana Hilary Clinton propôs uma nova relação entre a Otan e a Rússia. Proposta imediatamente aceita, resultando no reestabelecimento de relações da Aliança Atlântica com Moscou. Vale lembrar que essas relações estavam rompidas desde agosto do ano passado. Naquela ocasião, embalada pela possibilidade de vir a fazer parte da Otan, a Geórgia resolveu atacar suas províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia. E o fez na ilusão de que iria obter ajuda da Otan para essa empreitada. O tiro porém saiu pela culatra. A Rússia estava indignada com a possibilidade de a Geórgia e a Ucrânia, seus antigos satélites, virem a fazer parte da Otan e reagiu. Atacou a Geórgia, libertou as duas províncias rebeldes e declarou a independência das mesmas. Deu-se então não só o rompimento com a Otan como também um acentuado esfriamento nas relações com os EUA, fato agravado pela intenção do então presidente George Bush de instalar sistemas de anti-mísseis na Polônia e República Tcheca. A Rússia, inclusive, reagiu com a intenção de, em represália, instalar mísseis no encrave de Kaliningrado, na fronteira com a Polônia.
Agora, Hilary Clinton retoma a distensão, seguindo o que Obama já havia acenado. Mas é distensão com cooperação, evidentemente. Privilegiar a diplomacia em detrimento da guerra é a filosofia que Barack Obama está pondo em prática à frente do governo americano. Ao contrário de Bush, mais diplomacia e menos guerra. Mas há uma guerra que precisa ser concluída, a do Iraque e uma outra que precisa ser ampliada, a do Afeganistão. E para alcançar seus objetivos, Bush amplia a diplomacia. Os EUA acenam com abrir mão do escudo anti-míssil em troca de a Rússia não colaborar com o programa nuclear do Irã e de ajudar os EUA na empreitada do Afeganistão. O programa nuclear, que o Irã diz que é para fins pacíficos mas que EUA e Europa desconfiam que seja para fins bélicos, tem os seus equipamentos fornecidos pela Rússia. Quanto ao Afeganistão, os EUA precisam do apoio dos países vizinhos, que são satélites da Rússia. Na esteira do esfriamento das relações, a Rússia havia pressionado o Quirquistão a suspender o apoio que tava aos EUA, para o suprimento das tropas no Afeganistão. Obama já se dera conta de que vale muito mais a pena ter a cooperação da Rússia do que a sua confrontação. Daí a missão que foi delagada a Hilary e que começou a colocar em prática na presente reunião da Otan.
E até o Irã é alvo da diplomacia. Recebeu o convite nesta quinta-feira para participar de conferência internacional, a 31 de março, para debater o Afeganistão. Então, Obama usa muita diplomacia para alcançar seu objetivo militar.