Honduras vai realizar eleições presidenciais neste domingo, 29, e estabelecer um racha na América Latina. Isto porque o pleito vai ser realizado sem o retorno ao governo do deposto Manuel Zelaya. O Congresso decidiu que só vai votar pela volta ou não de Zelaya no dia 2 de dezembro. Ou seja, depois das eleições. Assim, de um lado ficou um grupo liderado pelos EUA que se dispõe a reconhecer o o governo que resultar eleito. E de outro, um grupo liderado pelo Brasil, disposto a não reconhecer as eleições se Zelaya não voltar ao governo.
É lógico que tudo ainda está indefinido, pois a eleição ainda nem se realizou. No entanto, já dá para se ter uma tendência. Os candidatos mantiveram suas candidaturas. Só os dois que tinham menores possibilidades de vitória que retiraram seus nomes da lista. Até a Unificação Democrática, principal partido de esquerda, manteve a candidatura, para desgosto de Zelaya.
Assim, se o pleito transcorrer de forma lisa e tranquila, o grupo liderado pelos EUA sairá como vencedor. Até porque o movimento de apoio a Zelaya é muito pequeno. Ele já havia sido praticamente destituído. Só não o foi pela via legal porque o exército atropelou a ordem judicial e o deportou para a Costa Rica. E, além do mais, a ordem constitucional já foi quebrada. Restituí-la agora com Zelaya ou sem Zelaya não fará muita diferença. O importante é a retomada do processo democrático com o novo presidente eleito. Isto acontecendo, o Brasil vai ter que rever a sua posição.