As negociações com vistas a uma solução para o problema de Honduras praticamente voltaram à estaca zero. Isto, depois de as partes envolvidas terem anunciado que em 95% dos pontos havia acordo. Diante do impasse, a Organização dos Estados Americanos e os EUA tentam pressionar o governo interino de Roberto Micheletti. A administração de Barack Obama voltou a cancelar vistos de hondurenhos, como forma de pressão.
O que se percebe, no entanto, é que Micheletti está resistindo em seu posto e está conseguindo fazer com que Manuel Zelaya não volte ao poder. E, enquanto isto, já cresce nos EUA a opinião de que o país possa aceitar o resultado das eleições de 29 de novembro, sem a volta de Zelaya ao governo. EUA, Brasil, OEA vinham defendendo a tese de que a democracia só seria restabelecida com a volta de Zelaya antes das eleições. Como a data do pleito se aproxima e não se tem uma solução para um acordo entre Zelaya e Micheletti, a solução talvez seja esta mesma. Afinal, a democracia já foi ferida em Honduras e a eleição não pode ser desperdiçada, porque é a forma de retorno aos preceitos democráticos.
A vigorar esta tese, que começa a ganhar força nos EUA, o Brasil terá que tomar uma decisão sobre o que fazer com Zelaya. Por enquanto, ele está na embaixada na condição de protegido. Com um novo presidente no país, restarão duas alternativas. Ele passar para a condição de asilado e vir para o Brasil, ou então enfrentar o julgamento a que, seguramente, será submetido em Honduras.