O presidente argentino Néstor Kirchner achou mais um culpado pelos quase 800 mil dólares que entraram ilegalmente no país na pasta do empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, a bordo de um jatinho alugado pela estatal argentina de energia Enarsa. Aliás, a pasta estava com Wilson, mas eram quatro executivos da estatal venezuelano do petróelo PDVSA que estavam à bordo do jatinho. E mais ainda Claudio Ubertti, o presidente da agência que fiscaliza as estradas na Argentina e encarregado informal dos negócios entre Argentina e Venezuela. Kirchner já havia demitido Ubertti, na quinta-feira. Agora, resolveu pedir a cabeça de Diego Uzcateguy Matheus, vice-presidente da PDVSA e presidente da empresa na Argentina.
Kirchner tenta compartilhar o problema com o seu parceiro venezuelano Hugo Chávez. Ora, é sabido que os laços entre os presidentes dos dois países se intensificaram há dois anos, quando Chávez comprou os primeiros títulos da dívida externa argentina. A propósito, essas compras dos já famosos “bônus Kirchner” chegam a 5 bilhões de dólares. Não é novidade para ninguém que esse dinheiro que chegou a Buenos Aires destinava-se à campanha de Cristina Kirchner à presidência da Argentina. Aliás, Ubertti, que foi demitido, é acusa do de coletar doações ilegais para a campanha de Kirchner em 2003.
Ainda na segunda-feira passada, Chávez esteve em Buenos Aires, quando anunciou que financiará uma usina de gás liquefeito na Argentina, para abrandar o problema energético que o país está enfrentando. Antes de partir para Montevidéu e sem que o caso ainda estivesse esclarecido, culpou, como sempre, os EUA pelo que estava acontecendo.
Ações conjuntas de Chávez e Kirchner não são novidades. Até na questão do Mercosul ambos tem agido em parceria. Sabe-se que para ser membro do Mercado Comum do Sul o país precisa estar sob democracia plena. O que não é o caso da Venezuela, que caçou o registro da RCTV. Em junho, durante reunião do grupo em Monetevidéu em que seria discutida a questão daVenezuela, a delegação argentina abandonou o evento às pressas, alegando problemas de vôo. O objetivo foi atingido, não dar quorum para a votação.
Assim os dois dirigentes seguem o seu relacionamento. Kirchner dá o apoio político a Chávez e este dá em troca o suporte financeiro. Tudo, logicamente, com base no que aufere a estatal venezuelana do petróleo.
E na Argentina as maracutaias vão se sucedendo. Além dos 800 mil dólares no jatinho, já houve os 64 mil dólares em uma sacola no banheiro privativo da então ministra da Economia Felisa Miceli, e mais uma venda pela ministra da Defesa, Nilda Garré, de um carregamento de um carregamento de armas no valor de 330 mil dólares, vendido por apenas 2600 dólares. A ministra teria recebido uma comissão pelo “pequeno” desconto.
Interessante que, mesmo em meio a essa seqüência de escândalos de corrupção envolvendo o governo Kirchner, Cristina Kirchner segue em larga vantagem nas pesquisas para a eleições presidenciais de outubro.