“Antes de soldado fui diplomata”. Com esta frase o novo presidente da Colômbia Juan Manuel Santos manifestou de forma expressa a sua disposição de dialogar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para resolver o impasse entre os dois países, que estão de relações rompidas. De sua parte, o presidente Chávez também se declarou disposto ao diálogo, dizendo que se nos próximos três ou quatro dias Santos não puder ir a Caracas, ele irá a Bogotá.
O que se depreende é que a posse do 59° presidente da Colômbia trás esperança de retomada de diálogo, algo pouco praticado por seu antecessor Álvaro Uribe. Curiosamente, Uribe fez muito uso da força e o responsável por isto foi o próprio Santos, que era ministro da Defesa. Ele inclusive elegeu-se prometendo dar seqüência à política de Uribe. Mas, como eleição é uma coisa e governo é outra, é bem possível que Santos siga o seu próprio caminho. Isto fica mais evidente pelo fato de ter posto ministros críticos a Uribe em postos chaves, como a Chancelaria e os ministérios da Agricultura e do Interior. A mensagem então é mudar para dialogar. E aí que vem a questão: dialogar também com as Farc? O antecessor de Uribe, Andrés Pastrana privilegiou o diálogo com a guerrilha e se deu mal. Uribe endureceu e se deu bem. As Farc passaram de 20 mil homens para 8 mil. Perderam força e entregaram muitos dos reféns importantes que tinham em sua posse. Então, na defesa, a grande bandeira do governo anterior, não fica dúvida, o novo ministro Rodrigo Rivera afirma com convicção: haverá continuidade. Resumindo, diálogo com os vizinhos e uso da força com a guerrilha.