A organização terrorista ETA – Pátria Basca e Liberdade, Euskadi Ta Askatasuna, no idioma basco, anunciou um cessar-fogo permanente. A primeira vista, parece uma notícia alvissareira. A ETA, criada em 1959, tem se destacado pelos atentados terroristas. Calcula-se que neste período de atuação, dita em nome da independência do país basco, tenha matado mais de 800 pessoas. Seu ato mais destacado ocorreu em 1973, num atentado que vitimou o então primeiro-ministro franquista Carrero Blanco. O carro em que ele transitava foi parar sobre a marquise de um prédio.
O chamado País Basco é uma região que envolve o sul da França e o norte da Espanha, na qual estão as províncias de Guipúzcoa, Vizcaya e Alava, envolve cerca de dois milhões e meio de pessoas. Ali estão cidades conhecidas como grandes centros financeiros e industriais como Santander e Bilbao. O governo espanhol já concedeu autonomia para a região, como fez também com Catalunha e Galícia. Mas não admite independência.
Através de um comunicado enviado à rádio e televisão basca, a organização separatista espanhola explica que o objetivo da decisão hoje anunciada é impulsionar o processo democrático no país basco, para construir um novo marco, no qual sejam reconhecidos os direitos do povo basco. E é aí que vem o ponto em que se questiona se a notícia é alvissareira. A ETA já anunciou cessar-fogo em outras ocasiões e sempre rompeu. O diferencial é que fala agora em cessar-fogo permanente, mas fala também em novo marco para o reconhecimento dos direitos do povo basco. Se isto implicar independência, o cessar-fogo não terá validade.