O governo dos EUA está mais uma vez apostando no Brasil como um interlocutor. Acontece que os EUA enviaram nesta quarta-feira para a Coréia do Norte o negociador Robert King, com a missão de tentar uma reaproximação com o regime norte-coreano. E King aproveitou para pedir que a embaixada do Brasil em Pyongyang, inaugurada em julho último, pressione o governo de Kim Jong-il sobre a questão dos direitos humanos. Tarefa difícil de se concretizar.
Brasil e Coreia do Norte estabeleceram relações diplomáticas em 2001, e o país asiático abriu sua sede diplomática em Brasília em 2005. Em junho passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, diversas ONGs do setor aproveitaram e criticaram o país por sua atuação na instituição. Na época, a ONG Human Rights Watch afirmou que o Brasil apoia os algozes ao invés de apoiar as vítimas. Naquela ocasião, as críticas eram direcionadas justamente ao fato de o Brasil ter votado contra resoluções que condenavam a Coreia do Norte e o Sri Lanka por violar os direitos humanos sob o argumento de que diálogo é mais eficaz do que sanções para fomentar a cooperação com esses países.
O problema é que o diálogo de Lula com os dirigentes linha dura não tem surtido efeito. Assim já o foi com o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. Obama pedira a Lula para interceder junto ao mesmo, quanto ao programa nuclear. Não conseguiu nada. Assim como, seguramente, não conseguirá nada também com relação à Coréia do Norte.