Os EUA estão batendo com a Turquia em duas frentes. Uma delas é a do Iraque. Acontece que, com as constantes incursões de curdos do norte do Iraque em território turco, o governo da Turquia resolveu atacar os curdos, contrariando Washington. Os curdos, que se constituem numa nação sem pátria, ocupam uma área que envolve partes não só do Iraque, mas também do Irã, da Síria e da Turquia. Querem formar o seu país, mas nenhum dos países onde eles vivem concorda com isto. Em função disto, os curdos têm desenvolvido ações de guerrilha. E é para reprimir essas ações que as forças turcas tem bombardeado posições curdas no Iraque, a despeito do pedido de não intervenção por parte dos EUA.
Mas o confronto maior entre Washington e Ancara está se dando em função de uma decisão, não do governo americano, mas do congresso, que reconheceu o genocídio de armênios por turcos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial. A decisão saiu apesar da contestação também do governo Bush. Os armênios denunciam que um milhão e meio de seus compatriotas foram sistematicamente executados pelos turcos otomanos, entre 1915 e 1917. Fato que tem sido comprovado por historiadores.
Assim, ao invés de se revoltarem, os turcos deveriam fazer um mea culpa, como fizeram os alemães com relação ao nazismo, e condenar o que os seus antepasados fizeram. Seria muito mais decente do que ficar se revoltando contra quem aponta o fato. Até porque eles teriam o atenuante de que o fato ocorreu antes da fundação da Turquia moderna, que se deu em 1923.