Os indicativos de que a Cúpula das Nações Unidas sobre o Clima iria fracassar se confirmaram nesta sexta-feira. As informações procedentes de Copenhague dão conta de que os líderes de 192 países ali reunidos, entre eles as maiores expressões do planeta, como Barack Obama, Angela Merkel Nicolas Sarkozy, Wen Jinbao e tantos outros, não chegaram a um consenso sobre os números para a redução do aquecimento global.
A avaliação geral no Bella Center, sede do evento, é que a Dinamarca foi um redundante fracasso. A crise de confiança provocada pela apresentação abrupta de uma proposta unilateral logo no início da conferência é uma das principais razões para o naufrágio da cúpula. Tanto que a dinamarquesa Connie Hedegaard, que presidia a conferência, acabou renunciando na quarta-feira.
A versão de declaração que circula pelo Bella Center, resultante de horas de reunião entre os principais líderes mundiais, não estabelece metas de corte de gases-estufa para 2020. Fala-se apenas em uma redução de 50% das emissões até 2050 e genericamente de um fundo de US$ 100 bilhões para o mesmo ano, sem dizer de onde vem o dinheiro nem como ele será usado. A solução talvez seja a sugestão feita pela Índia, de que a conferência seja reestabelecida daqui a seis meses. Pode ser , mas é tempo que se está perdendo.
Em discurso duro, feito de improviso e longamente aplaudido, Lula enumerou as ações do Brasil e disse que o país estaria disposto a contribuir para um fundo se isso salvar a conferência.