Estaria ou não o Paraguai sendo alvo de mais uma tentativa de golpe? Segundo o presidente Fernando Lugo, não. Porém, a grande indagação que fica é: por que ele trocou, de repente, os três chefes militares? Pois, hoje devem assumir novos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, cujos titulares foram demitidos ontem por Lugo, em meio a boatos de que estariam tramando um golpe de estado, com o apoio da direita paraguaia e dos EUA.
Que a direita do país estivesse se articulando para um golpe não seria novidade. Sob a ditadura de Stroessner ela passou duas décadas no poder e, por certo, tem saudades daqueles tempos em que mandava sem precisar respeitar os preceitos democráticos. Em tempos recentes, o país já passou por várias tentativas de golpes, que só não se concretizaram porque houve grande pressão por parte dos países parceiros do Mercosul. É sempre importante salientar que para um país fazer parte do Mercosul precisa preservar a democracia. O atual presidente Fernando Lugo é sabidamente um esquerdista, da linha de Hugo Chávez, Evo Morales, etc. Mas, daí a ter uma ação dos EUA para golpeá-lo vai uma diferença muito grande. Especialmente agora quando na chefia da Casa Branca está o democrata Barack Obama. Fosse ao tempo de George Bush até que se poderia admitir. Hoje é difícil. No entanto, que internamente houve alguma mobilização, não resta dúvida. Pois ainda não se teve uma justificativa plausível para a repentina troca de todas as chefias militares.