Mais um golpe de estado foi dado na África. Desta vez na ilha de Madagáscar, situada no sudeste do continente e onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha de pobreza. Como tal, ninguém está preocupado com o que lá está acontecendo, a não ser o secretário-geralda ONU Ban Ki-moon, o qual pediu que haja uma “transição suave, por métodos democráticos”. O que não parece que irá ocorrer.
O presidente Marc Ravalomana viu-se obrigado a renunciar nesta terça-feira, depois das acusações de praxe: corrupção e mal versaçãodo dinheiro público. De concreto, se sabe que Ravalomana abriu a economia de Madagáscar para investimentos externos, tentando minimizar o problema da pobreza. Parecia vir se conduzindo bem, tanto que em 2006 foi reeleito para novo mandato até 2011.
Curioso é que o principal opositor ao presidente deposto é um ex-DJ, de 34 anos, chamado Andry Rajoelina, mas apelidado de TGV, em relação ao trem francês de alta velocidade. Possivelmente, pela velocidade com que quer chegar ao poder. Onde, pela constituição, não pode permanecer, pois a idade mínima exigida para o cargo é 40 anos.
Assim, os distúrbios de Madagáscar, que já deixaram mais de 100 mortos, devem prosseguir, mas sem preocupar ninguém fora do país. A não ser, como disse, o secretário da ONU que, além de pedido verbal, nada mais pode fazer.