Pelos nomes que continuarão à frente de suas Pastas, a política externa brasileira não dá sinais de mudanças sob o governo de Dilma Roussef. Marco Aurélia Garcia continuará como assessor da Presidência para Assuntos Internacionais e Nelson Jobim seguirá à frente do Ministério da Defesa. No entanto, a própria presidente eleita já fez uma declaração contundente, que muda o rumo mais controvertido da política externa brasileira, ou seja, o que envolve o relacionamento com o Irã. Algo que desgostava EUA e União Européia. Dilma já se posicionou contra o voto do Brasil na ONU, quando se absteve de condenar o Irã pela execução de mulheres por apedrejamento.
Pois este posicionamento de Dilma serviu de inspiração para os EUA mandarem para cá esta semana o subsecretário para Assuntos Políticos do Departamento de Estado, William Burns. Ele que é o número três na hierarquia da política externa americana e que tem um longo serviço prestado nesse campo. E a primeira coisa que fez ao chegar aqui foi elogiar Dilma, dizendo que o seu governo está otimista com a futura presidente. Até porque, ela mandou segurar a compra de caças para FAB, negócio de 10 bilhões de dólares, em que os franceses estavam por abocanhar. Dentre os vazamentos do site WikiLeaks, está uma manifestação da cúpula da FAB, dizendo que prefere o americano F-16. E este assunto que, seguramente, estará na conversa de Burns com Jobim, tido também, conforme os vazamentos da WikiLeaks, como o ministro preferido dos americanos.
Nada comum uma mudança política para favorecer negócios.