Que a guerra no Iraque foi ilegal, tornou-se claro quando se comprovou que não existiam as tais armas de destruição em massa de Saddan Hussein que George Bush usou como motivo para a invasão. Mas isto tornou-se claro para aqueles que contestavam a invasão. Não para os EUA e para seu principal aliado a Grã-Bretanha. Pois esta visão britânica acaba de mudar. Falando pela primeira vez no lugar do primeiro-ministro britânico nesta quarta-feira, o vice-premiê do Reino Unido, Nick Clegg, descreveu a invasão do Iraque em 2003 como “ilegal”, colocando sua coalizão de governo em uma saia justa.
Clegg respondia a perguntas dos parlamentares na seção “Prime Minister’s Questions” no lugar do premiê David Cameron, que visita os EUA. O Reino Unido é governado por uma coalizão entre o Partido Conservador, de Cameron, e o Partido Liberal-Democrata, liderado por Clegg. Cameron, como a maioria dos conservadores, apoiou a participação do Reino Unido na invasão do Iraque, comandada pelos EUA. A decisão foi tomada durante o governo antecessor trabalhista. Questionada em entrevista coletiva se a ideia de invasão “ilegal” do Iraque era a também a política do governo ou uma visão endossada por Cameron, a porta-voz do governo saiu pela tangente. “O vice-primeiro-ministro tem direito a ter seu próprio ponto de vista”.
É dele, não é do governo. Mas é de quem está temporariamente no governo. E no governo da Grã-Bretanha, cujo então primeiro-ministro Tony Blair foi um fiel escudeiro de George Bush. Ou seja, comprometeu o seu país na guerra ilegal.