A situação de Honduras se encaminha para uma definição que irá provocar um racha na região, colocando, inclusive, em posições antagônicas Brasil e EUA. Como não houve um acordo para o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya, o que deve acontecer é o atual governo de Roberto Micheletti seguir no poder, passando o comando, em janeiro, para o presidente que resultar eleito no pleito marcado para o próximo dia 29 deste mês. E justamente aí é que reside a diferença de opiniões. A proposta do presidente da Costa Rica e mediador do conflito, Óscar Arias, previa o retorno de Zelaya à presidência, como forma de restabelecer a democracia e de dar legitimidade às eleições do dia 29. Como isto não irá acontecer, haverá a contestação por parte de países, como o Brasil, que queriam o cumprimento do acordo de San José. Todavia, haverá, de outra parte, o reconhecimento do governo a ser eleito por parte de muitos outros países, inclusive os EUA. E aí será uma questão de poder e de tempo para o reconhecimento mais amplo. Afinal, se sabe que, mesmo que Zelaya retornasse agora à presidência, seria apenas pró-forma. E o processo democrático já foi maculado pelo golpe. Assim, haverá que se aceitar o retorno da democracia a partir da posse do presidente eleito.