O Dia Nacional da Tecnologia Nuclear, comemorado nesta quinta-feira pelo Irã, teve duas manifestações distintas. Por um lado, o governo iraniano anunciou sua disposição de aceitar a oferta de EUA, Rússia, China, Alemanha, França e Reino Unido de uma reunião para discutir o seu programa nuclear. Por outro lado, esse mesmo governo deixou claro para seus interlocutores que avança em seu programa nuclear a passos largos. E a grande questão desse programa é se tem fins pacíficos, exclusivamente para a produção de energia, como alega Teerã, ou se é para chegar à bomba atômica, conforme temem EUA, Israel e outros.
Aproveitando as comemorações do Dia Nacional da Tecnologia Nuclear, o presidente Mahmoud Ahmadinejad inaugurou nesta quinta-feira o primeiro complexo de produção de combustível nuclear do país. Ahmadinejad acompanhou os cientistas que revelaram o primeiro aparelho no qual se concentram as pastilhas de combustível nuclear e que colocarão em funcionamento o reator nuclear que está sendo construído em Arak.
Segundo os cientistas iranianos, isto completa o ciclo de produção própria do combustível nuclear, um passo significativo no programa nuclear iraniano. A usina tem capacidade de produção, por ano, de 10 toneladas de combustível nuclear para o reator de água-pesada de 40 megawatts de Arak, atualmente em construção, na Província Markezi (centro), e de 30 toneladas de combustível para os futuros reatores de água leve, anunciou a agência Mehr.
O Irã diz que Arak, a ser concluída ainda em 2009, vai produzir isótopos para uso médico e agrícola. O Ocidente teme que a instalação produza plutônio, um dos principais componentes das bombas atômicas.
Para esclarecer essa dúvida, somente o acompanhamento da Agência Internacional de Energia Atômica. E este é o convencimento que Obama quer obter de Ahmadinejad.