A secretária de Estado Hilary Clinton conseguiu o compromisso de arrastar para a mesa de negociações o primeiro-ministro de Israel BenyaminNetanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina Mahmoud Abbas. O encontro está programado para os dias 1º e 2 de setembro em Washington. E se tornou viável pelo fato se programado sem pré-condições e também pelo aceno feito pelo chamado Quarteto para o Oriente Médio – EUA, UE, ONU e Rússia, de que dentro do prazo de um ano será estabelecido o Estado da Palestina. A reunião romperá 20 meses de estagnação no diálogo.
À primeira vista parece encaminhar-se uma solução para o conflito que se arrasta há 62 anos, só para citar o tempo que decorre desde a criação do Estado de Israel. No entanto, existem muitos entraves pela frente. A saber. O objetivo da ANP é ter um estado com as fronteiras de antes de 1967, conforme promessa do próprio Quarteto. A prática está mostrando que isto não se realiza. Israel tem uma política de assentamentos judaicos em áreas da Cisjordânia e não demonstra a mínima intenção de desocupá-los. Menor disposição ainda para entregar a parte oriental de Jerusalém, antiga e de predominância árabe, para ser a capital palestina. Israel tampouco aceitará, como quer a ANP, o retorno dos refugiados palestinos de 1948. E mais: Israel só admitirá um Estado Palestino sem armas, sem exército, sem controle do espaço aéreo e sem alianças com o Irã ou com o grupo libanês Hezbollah. E ainda, que a ANP desmantele o grupo radical Hamas.
Como se vê, são muitas as dificuldades. Mas, partindo do princípio de que os palestinos concordem com todas essas exigências para, enfim, terem o seu Estado, ainda assim ficaria um problema enorme, que o Hamas. Esse grupo, que não aceita a existência de Israel, tem o controle da Faixa de Gaza e não acata a liderança de ANP. Ou seja, são múltiplos os problemas para se acreditar no sucesso da reunião.