A troca de presos por caixões, feita por Israel com os militantes libaneses do Hizbollah, deixa algumas preocupações. Especialmente, no que toca à desigualdade da troca: dois mortos por cinco vivos, sendo que um deles é considerado como um monstro em Israel.
É certo que Israel precisava resgatar os corpos de seus dois soldados, que haviam sido capturados ou mortos pelo Hizbollah em julho de 2006. Esta ação, no entanto, deixou o mesmo sentimento de derrota para Israel que deixara a ação do país desencadeada naquela ocasião para tentar resgatar seus soldados. Naquela guerra morreram 1.200 pessoas no Líbano e 159 israelenses e ficou a sensação de uma vitória militar do Hezbollah sobre Israel. Tanto que o primeiro-ministro Ehud Olmert foi muito cobrado por isto. E não houve o resgate dos dois soldados, nem se ficou sabendo se os mesmos estavam vivos ou mortos. Aliás, isto só foi sabido agora, quando os Hezbollah exibiu diante da TV o que iria entregar, ou seja, os dois caixões fúnebres.
O preço pago por Israel foi alto, pois entre os cinco libertados está o mais antigo prisioneiro do país, o militante libanês Samir Kantar, condenado à prisão perpétua pela morte de uma israelense e sua filha de 4 anos, em um ataque em 1979. Israel ainda entregou mais quatro militantes do Hezbollah capturados na guerra de 2006 e os corpos de 199 palestinos e libaneses.
Com tudo isto, não é de admirar que o Hezbollah tenha considerado a troca mais uma vitória. E, além disto, não se pode esquecer que o movimento radical islâmico conseguiu, inclusive, depois do enfrentamento com Israel, fazer parte do novo governo do Líbano. O que é mais temerário.