Está muito claro para a comunidade internacional que um dos maiores entraves para a continuação do processo de paz no Oriente Médio é a decisão de Israel de continuar a autorizar assentamentos em territórios palestinos. Pois o Ministério do Interior do país autorizou nesta terça-feira a construção de mais 900 casas na parte Oriental de Jerusalém, anexada na guerra de 1967, e de população predominantemente árabe. A decisão já recebeu crítica até do governo dos EUA. No entanto, está ficando cada vez mais claro que, embora os palestinos venham a conquistar a sua independência, Israel não vai entregar Jerusalém.
Estive em Israel dois meses atrás e tive oportunidade de assistir um espetáculo realizado junto à Torre de Davi, em meio às muralhas da cidade histórica. O extraordinário espetáculo de luz e som, projetava imagens da história de Jerusalém sobre as paredes do milenar prédio. A história das diversas conquistas da cidade, vindo desde os tempos dos próprios judeus, passando pelo romanos, mamelucos, otomanos, ingleses, chegando até a volta dos judeus com a constituição do Estado de Israel. Dois aspectos ressaltaram da apresentação: um, jamais falaram em presença palestina. Outro, quem conquista a cidade estabelece sua soberania sobre a mesma. O que apenas vem referendar a decisão tomada por Israel em 1981, de tornar Jerusalém sua capital indivisível. Esta pelo menos é a pretensão do governo de Israel.